um novo estado…

…de espírito todos os dias (ou só de vez em quando para não cansar)

Wroclaw! Ou melhor, Vrot-Suave!

Os europeus ocidentais vão ter a tendência de lhe chamar Rock-law, como se fosse uma palavra inglesa. Ninguém os irá entender. Vrot-Suave, mesmo que seja sem sotaque polaco, é a forma mais correcta de ler e pronunciar Wroclaw. Fonografias à-parte, a cidade que por estes anos “floresce” nas margens do rio Odre, chamou-se então em tempos idos Vratislavia, pertenceu à República Checa quando ainda era Reino da Boémia, ao império austríaco e, claro, aos alemães da Prússia. Breslau foi o nome que ficou na memória de grande parte dos europeus, no século XX. Tudo porque a Segunda Guerra Mundial ali passou e marcou os traços e as gentes da cidade por muitos anos.

Cheguei por volta das 22:30h e o estômago já reclamava um pouco. Check-in feito e mala ao lado da cama. Por baixo do Mleczarnia Hostel um café com o mesmo nome. Era o único lugar que me ia consolar a fome, segundo me disseram no piso de cima. E se até ali era no aperto do estômago que estava focada, por momentos esqueci-o. À meia-luz de candeeiros de pé e velas estavam as mesas, os quadros e os polacos. E à excepção destes últimos todas as pequenas molduras em madeira com telas a óleo, as cadeiras pesadas e todo o resto da decoração fazia-me recuar muitas décadas. No entanto, por muito charmoso que fosse o café era hora de comer. Reconfortei-me com uma tosta de salmão fumado e queijo fresco e um dos melhores (e maiores) cappucinos que já bebi.

O mapa aberto e dois guias em cima da mesa acompanharam a refeição (se é que a isto se pôde chamar refeição) e pesaram o sono que precisava ser dormido para que o dia seguinte começasse com vontade.

Wroclaw acordou-me com muito sol e com perspectivas de “apenas” 10 graus negativos. A cidade gaba-se de ser uma das mais quentes da Polónia e percebi porquê. Tinha vindo de Cracóvia, no dia anterior, onde estavam menos 15 graus de temperatura máxima. A diferença fazia-se sentir.

E se com comida me deitei, com comida me levantei. Ao pequeno-almoço percebi que os polacos são gulosos, muito gulosos. As padarias estão cheias de pastéis de fazer crescer água na boca, mas a mim que não agrada começar o dia com milhares de calorias fiquei-me por um chá bem quente e um simples croissant. E bem rápido, porque como tinha de aproveitar enquanto o sol subia, pés ao caminho que se faz tarde.

A Plac Solny (Praça das Flores) abre-nos caminho na orgulhosamente recuperada arquitectura do centro da cidade. As cores saltam-nos logo à vista, mas os olhos arregalariam mais a cinquenta metros dali.

A Rynek, Praça do Mercado, é a segunda maior praça medieval europeia e o tapete vermelho da cidade. Aqui ouvem-se os cânticos dos adeptos dos clubes que ganham o campeonato, reúnem-se os apoiantes dos candidatos eleitorais vencedores, tocam-se todo o tipo de instrumentos em diversos festivais de música… enfim, a nossa Avenida dos Aliados em versão quadrada.

E este é o centro da cidade, o centro social, económico e cultural, desde o século XIII. Claro que quase nada do que aqui se vê é herança de 7 séculos. A Segunda Guerra Mundial deixou a cidade irreconhecível e Wroclaw sofreu profundas requalificações a partir da década de 50 do século passado. Depois de porem mãos à obra, o resultado final foi aplaudido por todos os habitantes. A especial atenção dada às fachadas das dezenas de edifícios da Rynek transformou a praça num monumento por si só. E claro, onde há monumento há turistas, muitos cafés e restaurantes (gregos, italianos, japoneses, espanhóis, polacos… todos com muita cerveja quente e vodka, porque por estes dias aqui é preciso aquecer muito mais o corpo do que a alma).

Milagrosamente, a Câmara Municipal (Town Hall) resistiu a todas as batalhas e guerras que passaram pela cidade. Datado do século XIII, o edifício está no lado este da praça e é um misto das arquitecturas do tempo, entre o gótico final e o renascimento. Há já alguns anos que as decisões políticas tomaram outras estruturas físicas, deixando as salas vazias para serem visitadas por turistas. Mas é cá fora que os cliques fotográficos se ouvem e as lentes apontam, não fosse o relógio astronómico (muito menos elaborado e muito mais pequeno do que o de Praga) e a elegância do monumento captarem todas as atenções.

Seguindo para norte, precisamos apenas de umas centenas de metros para encontrar o rio Odre e o magnífico edifício barroco da Universidade. Construída em 1670 pelos jesuítas, entre 1741 e 1757 a universidade viu-se transformar em hospital, prisão e armazém de alimentos, enquanto se encontrava nas mãos do império austro-húngaro.

Com mais de 40 mil alunos inscritos, daqui já saíram 9 Prémios Nobel e nomes como Alois Alzheimer, nome que não devemos esquecer. E embora este seja o edifício principal, aqui só se lecciona numa parte do espaço. Tudo o resto é museu e salas administrativas. Entrar significa pagar para ver a Ceremonial Hall, uma sala com frescos no tecto que representam a missão académica e religiosa dos jesuítas. Quem quiser pode continuar a subir até ao terraço da Torre da Matemática e encontrar uma nova perspectiva da cidade lá do alto.

(To be continued… Wroclaw: A Veneza do Norte da Europa, ou não!)

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This entry was posted on 20 de Abril de 2012 by in Lugares.

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