um novo estado…

…de espírito todos os dias (ou só de vez em quando para não cansar)

Wroclaw II – A Veneza do Norte da Europa, ou não!

Seguindo pela margem do rio percebemos, com um certo esforço devo dizê-lo, porque gostam os polacos de apelidar Wroclaw como a Veneza do Norte da Europa. “Título” que certamente desagrada aos mais apaixonados pela cidade do Adriático, pois qualquer comparação com Veneza é desadequada. No entanto, estão lá 9 ilhas, as pontes e alguns canais.

Atravessamos para a ilha Pyasek e vemos um dos postais de Wroclaw, o rio e a catedral em pano de fundo. 

O rio esse está congelado, mas a mostrar querer voltar ao seu estado normal. As temperaturas parecem estar a aumentar, pelo menos é o que eu e todos os polacos desejamos, embora o dia seguinte já trouxesse neve outra vez. Os patos e os corvos (o que eu adoro corvos e por estas bandas há muitos e grandes) batem as asas e as patas e lá conseguem sempre manter um pequeno espaço em estado líquido para seu bel-prazer.

Passar da ilha Pyasek para a ilha da Catedral implica dar de caras com um fenómeno que infelizmente começa a espalhar-se por muitas cidades europeias. Na ponte Tumski percebemos que Wroclaw é uma cidade cheia de casais apaixonados. Tudo por culpa de Federico Moccia. O autor italiano que em 1992 escreveu “Três metros acima do céu” deu mote a uma, já não tão estranha, moda: “agarrar” o amor de duas pessoas a uma ponte com um cadeado.

Na ponte Tumski são já milhares os cadeados de todas as cores, tamanhos e  feitios. Particularmente acho que estas modas e algumas superstições (como em Verona, na pretensa varanda de Julieta onde milhares de pastilhas elásticas colam post-its com os nomes dos milhares de amados de todo o mundo) vão estragando a paisagem urbana.

Daqui até à Catedral S. João Baptista, são apenas alguns metros. E se por toda a cidade há dezenas de igrejas, testemunhando a fé dos polacos, aqui é, por assim dizer, o quarteirão religioso por excelência. Ao lado da catedral está o Palácio do Arcebispo agora transformado em Museu da Arquidiocese, a Igreja de Santa Cruz e a Igreja de S. Martim.

Atrás da Catedral está o Jardim Botânico, com quase dois séculos, mas só aberto de Abril.

E o inverno com todas as suas desvantagens para viajar traz pelo menos uma vantagem. As filas para visitar a catedral não existem, como para visitar qualquer outro monumento ou museu.

No regresso ao centro da cidade encontrámos o comunismo, que na política ficou para trás nos anos 90, mas que na realidade deixou vestígios até hoje. Os prédios e os carros lembram os velhos dias em que todos eram iguais aos olhos do estado. Trabants e Fiats 125, bairros sociais apenas distinguíveis pelos nomes das ruas.

A hora de almoço já vai lá atrás, mas em Wroclaw isso não faz diferença. Os milk bars estão abertos até ao final da tarde e são mais um dos vestígios do comunismo. E diria mesmo: que maravilha de vestígio. O mesmo dizem os polacos. Para eles visitar o seu país e não comer nos milk bars terá sido uma viagem em vão. Percebi porquê. Estive em dois, no Jacek i Agatka e no Mís. As diferenças foram poucas. Em comum quase tudo, a comida é tipicamente polaca, o espaço não tem decoração praticamente nenhuma, os clientes são maioritariamente nacionais (excepção feita a alguns estudantes Erasmus), inglês não é tida como língua, por isso o melhor é desenrascarem-se com linguagem gestual, os funcionários não são os mais simpáticos do mundo (característica que me pareceu estender-se a todos os habitantes, com as suas excepções, claro) e o preço… bem o preço é mínimo. Entre pierogi ou dumplings, acompanhados com puré ou salada, sopas consistentes, ou nem tanto assim, e bebida, tudo não ultrapassa os €2 (num paguei €1.70, noutro €1.90).

Mas paremos um pouco no nome. Milk bar não surge à toa. Originalmente, depois da II Guerra Mundial este era um local onde se parava para beber leite, por uma palhinha, e todos os seus derivados, iogurte, queijos, etc. Só por volta dos anos 60 é que se transformaram em restaurantes, maioritariamente frequentados por operários de fábricas e construções, que serviam um menú mais alargado. A carne era racionada, assim como as especiarias (quando existiam). A batata estava na Polónia, e ainda está em muitas localidades, como o arroz está para a China e o subsídio de alimentação de quem trabalhava para o Estado era, muitas vezes, garantido com refeições nos milk bars.

Com os anos 90 chegaram as liberdades e o fim destes locais. Sobram poucos para contar a história, mas em qualquer um deles basta entrar para nos lembrarmos dos filmes da guerra fria.

(To be continued… Wroclaw – A cidade do futuro e dos… gnomos!)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Information

This entry was posted on 23 de Abril de 2012 by in Lugares.

Navegação

Calendário

Abril 2012
S T Q Q S S D
    Maio »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 170 outros seguidores

%d bloggers like this: