um novo estado…

…de espírito todos os dias (ou só de vez em quando para não cansar)

Relíquias do Século XXI

Eram 11.20 da manhã, ia a pé para o Carvalhido, e eis senão quando vejo uma saca de pão, daquelas de pano,pendurada na maçaneta de uma porta. Aí está uma visão que já não tinha há muito tempo. Tenhamos em conta que estou a falar de uma visão no meio da cidade do Porto. Esta é uma imagem que ainda pode ser encontrada em muitos locais pelo país fora, mas sobretudo em localidades pequenas. Agora numa cidade, ou a memória me atraiçoa ou então nunca vi (suponho que atraiçoa, pois quase que jurava que na rua da minha avó já vi este quadro) e trata-se de um verdadeiro tesourinho, nada deprimente.

No entanto, se pensarmos bem, também não se trata de algo assim tão inédito. Pelas minhas bandas ainda passa a carrinha da peixeira a apitar por todos os lados em sinal de alerta de que o peixe está fresquinho. É só esperar uns minutos e lá vão as donas de casa “cheirar” o que de mais genuíno o mar nos dá. Naturalmente, seguir-se-á o discurso inflacionado dos euros que teimam em ser cada vez menos nas carteiras das senhoras, mas a fotografia, não fosse a cores, seria igual a uma qualquer que encontramos no baú dos nossos pais.

Melhor ainda. O homem das batatas. É verdade, o homem das batatas (e arrisco das cebolas também). É ao som de Quim Barreiros, a sair de um megafone (o som, não o Quim Barreiros) encimado no camião, que normalmente sabemos que é dia de comprar batatas. Baratas e boas, que até parecem castanhas. E os sacos de 25kg, que ocupam grande parte da despensa, não dão jeito nenhum, mas lembram-nos que o Porto é uma cidade, ainda, com qualidade de vida. Se não vamos à feira, a feira vem até nós. Sim, porque mesmo a fruta tem presença marcada no fim das ruas, onde será difícil a polícia passar e obrigar a vendedora a arrumar tudo imediatamente, enquanto guarda no bolso uma multa por venda em local proibido.

Não estamos aqui a falar de provincianismo, mas sim de pequenos luxos, a que os mais cínicos não saberão ou não quererão dar valor. É a vida recheada de vida, de boa vida. São as pequenas cerejas em cima dos bolos que são os nossos dias, as tiras de chocolate em cima do gelado que é o nosso mundo. É a cidade a manifestar-se e a dizer que ainda é comunidade. E já são tão poucas…

Há lá coisa melhor que viver no Porto 🙂

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Information

This entry was posted on 27 de Abril de 2012 by in Porto.

Navegação

Calendário

Abril 2012
S T Q Q S S D
    Maio »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 170 outros seguidores

%d bloggers like this: