um novo estado…

…de espírito todos os dias (ou só de vez em quando para não cansar)

Hoje é Dia do Beijo!!!

Mentira! Não é! Mas podia ser, porque estava a limpar o lixo que se acumula dentro deste computador e dei com O beijo! A obra de arte que para mim é a maior ode que já vi a essa que é uma das mais banais e belas manifestações de afecto ou desejo.

O Beijo, de Brancusi, quase me deixa sem palavras. Estes pequenos 20cm de pedra fazem-me hoje sentir exactamente o mesmo que senti quando os vi há alguns anos. Fiquei quase tão petrificada quanto estes dois! Não estava à espera deles, andava perdida entre Modiglianis (um que ainda nesta secretária me olha todos os dias – Madame Zborowska, 1918), e quando os vi… os pés colaram ao chão e os olhos arregalaram e interrogaram na pedra! E ali fiquei, não sei, uns 10 minutos, a contemplar a dura e tão suave união.

Sou uma romântica e para mim não há nenhum Rheth Buttler com Scarlett O’Hara nos seus braços, e uma Atlanta a arder em pano de fundo, que tenha a força deste beijo, não há nenhum dourado Klimt que una dois corpos tão simbolicamente, não há vida suficiente nas palavras de Cotidiano, de Chico Buarque, que deixe um gosto tão intenso… Não sei, mas não há!

Um beijo nem sempre é o mesmo para as duas pessoas que se beijam. Dos milhares que já demos não serão assim tantos os que nos marcaram. Não estou aqui a falar dos que nos lembramos. Esses são muitos mais. Mas sim daqueles que nos fazem pensar: o que é que faz com que um beijo seja memorável? Tudo e nada.

Os que pedem mais beijos.
Os que não se deram e que ficaram d i s t a n t e s.

Os que se dão constantemente e se darão sempre.
Os que nos fazem pensar o impensável.

Os que não precisam de se dar.

Os que não estamos à espera.
Os que são diferentes de todos os outros, porque são só nossos.

Os que fazem chegar o sangue das pontas dos pés ao cérebro em nanosegundos.

Os meus. Os teus.
Os que nos fazem perspectivar ao longo dos anos.
Os que com sol ou lua nos elevam ao lado mais prosaico da vida.
Os que são dados onde mais gostamos de receber.

Os que no papel ou na electrónica, peculiarmente, distingo por “beijo”, “beijinhos”, “beijocas” ou “beijos”.

Os que queremos riscar da memória, porque foram… maus.

Os que queremos que toda a gente veja.
Os que estão quase, quase, quase para ser.
Os que deixam a boca em meeeeeel.

Os que se anunciam secretos. Os que ansiamos que venham a existir.

Não sei se algum Cupido faria melhor trabalho que Brancusi. Aliás, sei. Não faria. Não tem a mão tão perfeita como Brancusi. E toda a gente sabe o quanto gosta de pregar partidas com aquela que deveria ser, mas não é, a melhor pontaria do mundo. Por isso, o melhor é mesmo acreditarmos, mais uma vez, que só o Homem pode fazer melhor do que o próprio Homem.

Contudo, até hoje… Brancusi reina na arte do Beijo!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Information

This entry was posted on 27 de Agosto de 2012 by in Fait-Divers.

Navegação

Calendário

Agosto 2012
S T Q Q S S D
« Jun   Set »
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 170 outros seguidores

%d bloggers like this: