um novo estado…

…de espírito todos os dias (ou só de vez em quando para não cansar)

Closer – Perto Demais (da verdade)!

How can you trust love? Love is so full of shit sometimes! People are full of shit! Hearts are full of shit! Life is full of shit!

Seria um título grande demais para um filme. E na realidade, eu acho que Closer, o filme, nada tem a ver com amor. Ou melhor tem, mas tem mais a ver  talvez com… verdade. Aliás, serão provavelmente as palavras mais repetidas durante todo o filme e as minhas dúvidas em relação a ambas são imensas.

Vou tentar deixar de lado todo e qualquer cinismo meu em relação a este assunto. É que os meus mais próximos poderiam pensar: Pronto, lá vem ela com um vestido Óscar de la Renta  em degrade verde-cínico conjugado com uns Louboutin carregados de sarcasmo dourado. Não, para esta publicação vou nua! E vou-o porque o filme despe-me, por dentro.

Closer é um dos meus filmes preferidos. E pressinto que o é (sim, continuo a não ter a certeza) porque é genialmente perverso, porque não tem medo de ser perverso, precisamente porque a vida é perversa muitas e muitas vezes. E não precisamos de ser perversos com os outros para que o conceito se materialize. Às vezes somo-lo connosco próprios e nem damos conta, ou quando damos é tarde demais.

Em Closer existe mais verdade do que amor e lá está, o amor não chega para tudo. O amor não suporta a verdade verdadinha na maior parte das ocasiões. E a verdade verdadinha está, muitas e muitas vezes, impregnada de perversidade, não propositada, mas natural. Não podemos ser eticamente correctos 24h por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano (todos somos um pouco animal), porque senão não existiam milhões de casais como existem. Com isto não estou a dizer que é preciso mentir para que o amor exista (muito menos estou a apelar à mentira), mas para que as relações resistam é preciso não contar todas, todas, todas as verdades. Excepções à-parte, obviamente (acredito que um número excepcionalmente pequeno).

Closer é perverso porque se falam as verdades, algumas puxadas a ferro e fogo, mas falam-se. Fala-se de tentação, de traição, de desejo, de segredos, fala-se de mentiras, de domínios, de mulheres, de homens, fala-se de sexo, de liberdade, de sonho… e no fim ninguém se fala, porque se falou demais. No fim sobrou a verdade!

Toda a gente diz que é preferível a verdade à mentira. Eu também o digo! Mas depois não há volta a dar, a verdade vai durar para sempre e uma mentira, embora também o possa durar, pode-o durar sozinha. Daí muita gente se refugiar nessa ideia, na ideia de que não é preciso partilhar tudo com o outro, as chamadas white-lies (confesso que adoro o termo), as mentirinhas que não fazem mal a ninguém e aquelas que aparentemente sustêm as relações. Eu não vou mentir, vou ocultar aqui um pormenor! Ele/ela não precisam de se preocupar com isto. Eu só olhei para ele/ela lascivamente! Eu não fiz nada! Se não fizemos, porque não chegamos então a casa e dizemos Sabes querida, hoje a minha colega estava tão boa, tão boa que só me apetecia saltar-lhe em cima! Ao que ela respondia Como eu te percebo querido. Ando há 3 semanas a almoçar com o Vítor e não paramos de flirtar um com o outro o tempo todo! Se soubesses do que falamos… Então? Não queriam a verdade? Ela está-o todos os dias por aí… mas ai se a verbalizássemos.

Em Closer verbalizam-se as verdades, umas vezes tarde demais é certo, e algumas mentiras. E, claro, não muito inesperadamente há uma guerra entre sexos, os mesmos e os contrários. No trailer há uma frase, que inexplicavelmente não aparece no filme, e que de certo modo resume a posição dos homens em relação à “possessão” das suas mulheres. Larry (Clive Owen) a certa altura diz You women don’t understand the territory, because you’re the territory! 🙂 (MARAVILHOSO!) Alice (Natalie Portman) responde This is not a war. Realmente não deveria ser, mas é-o. E é-o, porque temos o tal animal dentro de nós, o tal que é instintivo e não racional. E o racional chega às vezes para esconder o instintivo!

Uma das coisas que mais gosto no filme é, naturalmente e por todas as razões que até agora falei, o final, os despojos dos sentimentos. Os retratos de cada um dos personagens que, se fossem captados pela câmera de Anna (Julia Roberts) dariam uma tristíssima exposição.

Mas eu sou alguma especialista em amor?  Não, de todo (embora também não saiba o que é ser-se especialista em amor. É uma pessoa que já amou muitas vezes? Que amou durante muito tempo? Que amou para sempre a mesma pessoa? Que sente que é amada?)! Sou só uma especialista em “porquês”. Sou-o porque, lá está, não me canso de questionar tudo isto da moralidade, ou da falsa-moralidade, da verdade e da hipocrisia de algumas relações, da liberdade e da mentira dos preconceitos, dos estigmas e das pressões sociais, enfim… da vida! Porque ela teima em cair-me aos pés todos, todos, mas mesmo todos os dias!

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This entry was posted on 12 de Setembro de 2012 by in Ver.

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