um novo estado…

…de espírito todos os dias (ou só de vez em quando para não cansar)

O Indiana Jones é um menino!

Há cidades que vivem do turismo e Wadi Musa é uma delas. Fica 250km a sul de Amã e se o seu nome é reconhecido por alguém neste mundo contemporâneo, a Petra o deve. Ali, cerca de 20 mil pessoas vivem de Petra e para Petra. E este ano vivem-no menos bem. Isto, porque todo o ambiente de conflitos armados que rodeia a Jordânia está a afastar os turistas do país. Facilmente percebi e comprovei a preocupação que Ahmad, um dos taxistas que me levou do hotel em Wadi Musa até Petra, me demonstrou. Disse-me que por aquela altura, nos anos anteriores, a média seria de 2 mil visitantes por dia. E que cada dinar lhe fazia diferença.

2014-09-22 13.05.22

Wadi Musa com as montanhas de Petra ao fundo

Passei dois dias em Petra. No primeiro cruzei-me com centenas de pessoas. No segundo… contei pelos dedos das duas mãos o número de visitantes que vi de hora a hora. Num espaço de cerca 15km2.

A Cidade Perdida foi descoberta no início do século XIX, pelo suíço Johann Ludwig. Descoberta como quem diz encontrada. Porque crê-se que mais de metade deste Património Mundial está ainda por descobrir! Das dezenas e dezenas de monumentos, os percursos principais levam-nos a ver apenas “meia dúzia” deles. Para se perceber melhor a dimensão do lugar, a vasta diversidade arquitectónica, ou como é que uma cidade com mais de 2000 anos é ainda hoje casa de mais de 50 famílias beduínas (há quem aponte muitas mais!), é preciso explorar montanhas, enveredar por caminhos alternativos e procurar novos enquadramentos visuais. E nessa altura percebemos porque é que os aventureiros e os exploradores são sedentos de mais e mais aventuras. Porque cada passo na direcção do horizonte, abre passos a mais horizontes.

No meu regresso toda a gente perguntava: Mas Petra é aquilo que aparece no Indiana Jones, não é? Aquela fachada, depois de um defiladeiro? Pois, Petra é isso… multiplicado por cem! Ou mais! Isto é, Siq só há um, mas vestígios arqueológicos há-os aos “pontapés”.

Metade dos visitantes de Petra apenas percorre o Siq até ao Templo do Tesouro, dá meia volta e vem embora. Sim, é verdade que, na minha opinião, vêem a mais magnífica parte da Cidade Perdida, o Siq. Um estreito desfiladeiro com quase 1,5km cuja cor muda a cada hora e a cada curva, fruto das diferentes luzes que reflectem na rocha. Mas chegar ao fim deste percurso, tirar meia dúzia de fotografias ao monumento mais conhecido da cidade e concluir a visita, seria o mesmo que ir ao Vaticano ver a Praça de S. Pedro e vir embora. Sacrilégio, portanto!

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A, minha, realização da visita está em chegar ao fim com as outdoor azuis cobertas pela tonalidade rosa que caracteriza o local. Em olhar para a minha pele e pensar que estava verdadeiramente mais morena, quando na realidade estava era suja de tanto pó que apanhei a subir e descer montanhas. Em ter o contacto telefónico de beduínos gravado no meu telemóvel. Porque tudo isto só queria dizer uma coisa: Petra é mágica! E é uma magia para ser apreciada, daquelas que “se podes olhar vê. Se podes ver repara”.

Reparar que subir 2,5km, com cerca de 800 degraus pelo caminho, durante 1h, debaixo de 30ºC, não é nada, quando à nossa frente surge um mosteiro cuja reacção que desperta em todos que lá chegam é WOW. Reparar que os túmulos cravados na rocha nos chamam a entrar para nos depararmos com tectos hipnotizadores de arenito colorido. Ficarmos boquiabertos com a dimensão do fórum e do anfiteatro. Reparar que a vida que abandonou Petra por volta do século V, após dois violentos terramotos terem praticamente destruído as condições habitacionais da cidade, não a abandonou para sempre e que algumas cavernas ainda são habitadas.

Pelo caminho encontramos Fatimahs que nas suas pequenas bancas tentam vender bijuteria a um preço que a cultura pede que regateemos, Kaseps que nos contam a história da família e nos levam aonde não iríamos sem eles. E muitos outros beduínos que para ganhar alguns dinares chateiam e chateiam e chateiam os visitantes com os seus animais.

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Os Nabateus construíram uma cidade globalizada, arquitectonicamente falando. À sua cultura árabe assimilaram as culturas romana e bizantina e de pagãos viraram cristãos. Séculos depois, os jordanos regozijam-se com Petra e os beduínos com os seus camelos e burros são a pitada de sal para alguns turistas. Spielberg é uma espécie de descobridor cinematográfico do século XX e Indiana Jones um menino! Aposto que ele não se cansou mais do que eu, e milhares de muitos outros que por ali passam. Eu, pelo menos, não usei duplos, nem cavalos. E bem que arrisquei um pouco aqui e outro ali. No fim, o meu Santo Graal foi sentar no topo de uma montanha com o pôr-do-sol a bater em milhares de anos de história e pensar: F***-se, o mundo é mesmo fantástico!

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This entry was posted on 15 de Outubro de 2014 by in Lugares.

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